Os filhos de Kurt - página 13
“ Às dez e tal da noite, eu estava no banco de jardim duma praceta aqui próxima. Encontrava-me sozinho naquele sitio, não havia ninguém à volta, o banco em que me sentava ficava num cantinho da praceta, não havia crise. Podia fumar um charrito, à vontade. Foi o que aconteceu. Quando estava a acabar de fumá-lo, vejo que, ao longe, no baloiço da praceta, uns vinte metros à minha frente, alguém se tinha sentado. Concentrei o olhar e vi que era um puto todo vestido de preto que baloiçava e baloiçava. No princípio, não liguei nenhuma, mas depois comecei a pensar. Um miúdo tão pequeno, àquelas horas, sozinho, era uma cena muito estranha. Olhei para as janelas dos vários prédios à volta, para ver se algum familiar do puto o estaria a controlar. Não vi ninguém. Acabei o charro, levantei-me e pensei em ir falar com o miúdo, só para satisfazer a minha curiosidade. Dei os primeiros passos e reparei noutro puto, também vestido de preto, sentado num outro banco de jardim, não muito longe de mim. Comecei a sentir que a cena estava a ficar marada. Eu não vi nenhum dos miúdos a vir de lado algum para se sentar no baloiço ou no banco. E comecei a ficar acagaçado. Nesse momento, notei que um outro puto, vestido como os restantes, estava em frente ao baloiço, e parecia contemplar o miúdo do baloiço a brincar. A cena ficou totalmente chinada! Deu-me um vipe, julguei que os três putos eram fantasmas, tive um ataque de pânico, e fugi deles e da praceta. Corri como o caraças e vim aqui ter para vos contar o que me aconteceu. Como vocês dizem que são detectives paranormais ou coisa parecida, vim cá para vos contar isto!”, conclui Celso, gaguejando um pouco. João dá-lhe mais um copo de água, que ele bebe, desenfreadamente, sorvendo-o a tremer.

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