Wednesday, September 22, 2004

Os filhos de Kurt - página 15

Entretanto, aparece um homem que, certamente, andava pela zona, a passear o seu cão. O homem surpreende os três com uma inesperada pergunta ao assustado consumidor de haxe: “Então, já deixou as crianças em casa? Os miúdos estavam muito divertidos a brincar!”. Estupefacto, Celso, após alguma hesitação, questiona-o se ele estava a falar das crianças vestidas de preto, que vagueavam pela praceta. “Sim. Não estava a tomar conta delas? Que estranho! Passei ao lado da praceta, enquanto passeava o meu cão, e ia jurar que você andava a controlar as brincadeiras dos quatro miúdos. “, afirma o homem, que, indirectamente, demonstra aos irmãos Azumbsen, a veracidade das palavras de Celso. Este inquire o homem sobre o número de crianças que estavam na praceta.

“Quatro miúdos? Sim. Lembro-me bem. Dois ao pé do baloiço, outro num banco em frente ao seu, e um quarto rapazito detrás do sitio onde você se sentava. Lembro-me bem. Eu estava do outro lado da rua, mas vi bem. Mesmo à noite, eu vejo bem as coisas. Não é à toa que, em África, eu era um dos melhores snipers da companhia. Não é para me gabar, claro!”, diz o homem. A sua descrição faz desmaiar Celso. Enquanto tenta reanimá-lo, o homem transmite-lhes outra informação, que eles retêm com atenção. “Há bocadinho, um desses miúdos cruzou-se comigo. Não sei que raio ele tinha, mas cheirava muito mal. Cheirava a lixo. De relance, pareceu-me vê-lo com o cabelo basto, desgrenhado, como se já não fosse lavado há várias semanas. E também parecia ter as unhas bastante sujas. Se soubesse que esse miúdo, assim como os outros, andava sozinho na rua, tinha feito qualquer coisa!”, declara com seriedade.

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