Os filhos de Kurt - página 8
Ricardo tem, então, uma ideia. Procura, num dos sacos que trouxe para a vivenda, uma cassete-video do grupo rock U2. Encontra-a e coloca-a no leitor de vídeo, instalado pouco antes. Mostra à senhora o clipe “PRIDE”, onde, por momentos, surgem uns miúdos a dançar ao som da banda, numa espécie de anfiteatro composto para a actuação do grupo. Ricardo pára a imagem no instante em que os miúdos surgem e pergunta à a senhora se o rapazinho que vira tem um aspecto semelhante ao daqueles. “Sim. De facto, o petiz que eu vi é muito parecido com esses!”, corrobora ela. “Eu tinha essa ideia. Quando me falou dum rapazinho vestido de preto, lembrei-me logo do vídeo dos U2. Podemos usar esta imagem para procurar a criança. Que acha?”, pergunta Ricardo à senhora que, rapidamente, se apresta a dizer que eles devem fazer o que bem entenderem, pois, afinal, são detectives, e uma das funções dum detective é de descobrir a razão pela qual criancinhas pequeninas e sozinhas vagueiam pela terra sem um adulto pela mão para lhes conter as asneiras.
A senhora despede-se e sai de casa deles. João e Ricardo ficam a olhar um para o outro, pensando naquilo que tanto a senhora como os homens das mudanças observaram. “Eu julgava que a mulher nos ia propor que descobríssemos a criança. Afinal, para que veio ela aqui? Só para nos dizer que viu um puto a enroscar-se numas sebes? Que caso tão interessante para resolver!”, confidencia Ricardo, enfadado, com anuência do irmão. Este confessa não ser um caso daqueles, dum miúdo a fazer traquinices longe dos pais, o que os vai levar à fama e à glória como investigadores e detectives. “Vamos mas é arrumar a casa.”, declara João, vendo mais alguns móveis fora do lugar onde deveriam estar, o que o enfastia um pouco.

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